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A primeira vez que a palavra “dízimo” é mencionada na Bíblia é em Gênesis 14.20: “E deu-lhe o dízimo de tudo”. Esta atitude de Abraão revela-nos o costume dos povos semitas daquela época de oferecerem a décima parte da produção de suas plantações e de seus animais ao Senhor ou a alguma autoridade específica, como ocorreu no caso do Rei de Salém (Gn 14.18).

Todavia, nesse episódio, que aconteceu bem antes da Lei de Moisés, Abraão ofereceu a Melquesedeque o dízimo dos despojos de guerra. Porém, as Escrituras não explicam claramente o porquê do patriarca dar a contribuição. Teste em IIReis 3.2,3 ou em Atos dos Apóstolos 5. Teste de link onde o livro Gn 3.2 tem link.

De acordo com Champlin[1], fora da cultura judaica havia muitas culturas antigas que praticavam o dízimo. Além disso, ainda segundo esse autor, a prática existia entre outros povos, tais como os gregos, os romanos, os cartagineses e os árabes. Para estas culturas, era um hábito que fazia parte da piedade religiosa.

Biblicamente, a prática do dízimo hoje não é lei para os cristãos, mas também não é condenável diante de Deus, já que quem contribui sadiamente na obra do Senhor o faz voluntariamente e por fé.

Sem dúvida, as nossas contribuições tem servido para ajudar os necessitados, para expandir o Evangelho do Senhor Jesus Cristo pelo mundo através de missionários e de diversos meios de comunicação, para sustentar líderes que trabalham em tempo integral nas igrejas (2 Co 11.8-9; 1 Tm 5.18), para construções de congregações, onde podemos nos ajuntar como igreja e adorar a Deus de forma mais organizada, para criar, manter e ampliar projetos verdadeiramente sociais.

Em suma, podemos contribuir consciente e eficazmente na obra do Senhor, “porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho de amor que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis” (Hb 6.10).

No Novo Testamento não encontramos nenhuma passagem bíblica que fortaleça a prática do dízimo como sendo uma lei para nós, gentios. Talvez você discorde do que estamos dizendo simplesmente por causa do texto que está em Mateus 23.23, quando o Senhor Jesus repreende alguns religiosos:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas.

Para esclarecermos essa passagem precisamos fazer-nos algumas perguntas. Jesus era judeu? Sim. Os escribas e fariseus também o eram? Sim. Para Jesus, o que era mais importante? Os dízimos da hortelã, do endro e do cominho ou o juízo, a misericórdia e a fé? Sem dúvida o juízo, a misericórdia e a fé. Segundo o Mestre estes eram mais importantes. Outra pergunta: Em algum momento Jesus insinuou que essa prática era obrigatória para os gentios? Não.

O que há no Novo Testamento são textos que enfatizam a liberalidade cristã, ou seja, a lei da generosidade. Por exemplo, na coleta para os cristãos pobres da Judeia, o apóstolo Paulo orienta os irmãos coríntios a que fossem generosos em seus donativos:

E digo isto: Que o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. (2 Co 9.7

A prática da liberalidade cristã provoca bênçãos efusivas da parte de Deus sobre quem tem um coração convertido e generoso:

E Deus é poderoso para tornar abundantemente em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra, conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia e pão para comer também multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça; para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se deem graças a Deus (2 Co 9.8-11).

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